Como ser mais gentil e paciente

Com o passar dos anos e com o advento da internet, a interação entre o laboratório e o público aumentou muito, seja por telefone, presencialmente ou por meios digitais. Com isso, o paciente não vai mais ao laboratório apenas para fazer um orçamento ou ser atendido. Agora, ele também se interessa pelo processo de anális Por isso, mudar os hábitos alimentares para uma dieta mais saudável e leve é uma das maneiras de também cuidar da nossa mente. 11. Faça exercícios. Assim como a alimentação, a rotina de exercícios é fundamental para ajudar você a ser mais inteligente. Quando estamos raciocinando, o nosso cérebro está, também, gastando energia. Ser gentil é uma maneira viva de personalizar nossas vidas e as dos outros de maneira significativa. A bondade nos permite comunicar melhor, ser mais empáticos e ser uma força positiva presente na vida dos outros. Ele tem sua fonte na profundidade do ser e, embora em algumas pessoas seja uma característica inata, ainda é possível cultivá-la, […] Isso jamais pode ser esquecido. Por mais que seja uma profissão e tenha seu valor de troca – afinal, é assim em todas as áreas de atuação -, ela não pode ser vista apenas como um serviço. Atender o paciente com a devida atenção, perguntar sobre detalhes de seu histórico médico, respeitar o seu tempo e acolhê-lo são atitudes que ... Tente 23 dicas sobre como ser mais paciente, calmo e gentil com alguém na vida abaixo que lhe permitirá manter a calma em que há muito, muito tempo. Como ser mais paciente, calmo e gentil com alguém na vida 1. Saber seus gatilhos . A impaciência é algo que é acionado. Este disparador é diferente de um para outro, mas tem o mesmo objectivo. Para conseguir ser mais paciente nas atividades do dia a dia, a chave é manter o equilíbrio e a calma. Por Redação M de Mulher. access_time 22 out 2016, 16h55 - Publicado em 5 maio 2013, 22h00 Observe os pensamentos e as sensações da impaciência. Se estiver em uma situação estressante, fique atento aos pensamentos indicativos de que está ficando mais impaciente, como 'isso está demorando uma eternidade' ou 'essa pessoa está sendo tão irritante'.Ao determinar quais são os pensamentos da impaciência, pare e observe as sensações que o corpo está apontando. Então precisa ser mais paciente, tanto com você quanto com os outros. E é exatamente nisso o que esse artigo vai te ajudar, dando dicas preciosas para conseguir manter a cabeça no lugar, na hora do aperto. Como ser mais paciente. Passar 24h tentando agradar a tudo e a todos não é saudável.

Tô indo morar sozinho hoje e tudo graças á furries, Bolsonaro e masturbação

2020.08.31 13:42 aftiago Tô indo morar sozinho hoje e tudo graças á furries, Bolsonaro e masturbação

Depois de meio ano de isolamento, deprimidíssimo, engordando como um porquinho e sem conseguir trabalhar no que eu mais amo, que é ilustração, pegando freelas e devolvendo o dinheiro porque não conseguia produzir nada, decidi ser um pouco egoísta e ir me mudar como eu tava planejando desde o ano passado. Levei todos os meus trecos ontem e hoje levo o resto e começo a me organizar!
E tudo graças ao papai Biroliro e seu governo, que enfiaram o Brasilzão no rabo e mandaram o dólar pra estratosfera, hehe. Ilustro tem cinco anos e nunca vi isso. Ilustrar pra gringo já dava uma grana bacana, mas é muito doido o quanto escalou. Ainda mais se for hentaizada. E AINDA MAIS se for furry! Hoje dá pra tirar uma bolada de uma arte que demora menos de um dia pra produzir se aparecer a pessoa certa.
E caralho, tô no hype! Finalmente vou ter um estúdio! Onde vou poder decorar como quiser, ter a mobília que eu quiser e usar criativamente! Vou poder montar uma dieta minha com o que eu curto comer e me cuidar melhor! Vou poder cagar de porta aberta, ahauahua. Todos esses meses montando meu apartamento no The Sims, decorando e redecorando vão se pagar (sério, devo ter feito pelo menos umas três vezes meu apartamento no TS4)! O apê tem 38m² mas pra mim ele parece infinito, hehe
E obrigado por ler até aqui! Tô que nem criança que não consegue dormir porque amanhã tem viagem da escola, então queria compartilhar um pouco, hihi. Ainda mais porque a gente tá nesse período terrível, acho que notícias bacanas dão um upzinho no dia. Fiquem seguros e uma ótima semana pra nós! 💛
Edit: Como tem muito artista aqui perguntando como eu faço pra conseguir freela de Commission, vou explicar por cima: Anuncio em sites específicos pra isso, então deviantart, furaffinity, Instagram, Reddit (dá um check no meu histórico de posts pra ver o spam nós subreddits que eu uso). Mais que isso, pesquisem a lista de preços de artistas mais ou menos no seu nível de habilidade pra avaliar o quanto é justo você cobrar. Sejam atrativos, façam ofertas que os outros não fazem. Montem uma página de portfólio bonita e intuitiva e clara, com alguns poucos desenhos, mas muito bons. Criem uma arte que vocês demorem dias refinando, pra ser o carro-chefe do seu portfólio. Não precisa falar inglês tão bem assim, a maioria da gringaiada é gentil e compreensiva, então pode usar o GTranslate de boa. Se um cliente não respondeu depois de um update, não corre atrás, é dinheiro dele e responsabilidade dele checar suas mensagens (sério, devo ter feito pelo menos R$ 1000 em trabalhos não finalizados). E seja paciente! Trate cada encomenda como uma nova possibilidade de um carro-chefe pro portfólio que logo você vai estar decidindo quais encomendas você quer pegar!
E pra rapazeada puta porquê dá pra ganhar dinheiro desenhando erotismo "sem contribuir nada pro país", cês conseguem entender que a gente tá tirando dólar de estrangeiro e trazendo pra cá? Hahah
submitted by aftiago to desabafos [link] [comments]


2020.04.17 17:19 bnoassassins 11:02 quem sabe nós nos encontraremos novamente nesse grande novelo de lã

Para uma Deusa
a paixão que havia em mim nesta manhã se acabou
hoje vejo que fui sempre eu que estive extremamente apaixonado
não que não haveria interesse por sua parte
mas não é algo que quero mais em mim
amar uma Mulher tão incrível como vc e não ser correspondido da mesma forma
não lhe culpo mas sim me culpo
por ser assim digo e penso muito sobre isso e agora coloco em linhas
''o amor é a forma mais dolorosa de morrer e ao mesmo tempo mais justa''
vc sempre estará presente em meus pensamentos por ser uma pessoa incrível
por ser uma mulher que eu comparo a uma Deusa pq é o que vc é
por ser gentil por ser Certa paciente e muito carinhosa comigo
espero sim te ver novamente ver esse teu sorriso
e essa tua Luz interna que é algo lindo de se admirar
me sinto em profunda tristeza e alegria
por ter conhecido uma Deusa mas não ter alcançado seu coração .

De : um plebeu
Para : Deusa
submitted by bnoassassins to desabafos [link] [comments]


2020.01.27 22:24 DarkwraithKnight Problemas de rota? Como lidar com isso profissionalmente.

Olá pessoal, esse é meu primeiro post (e dia) na comunidade do Reddit!
Se você tiver a necessidade de screenshots, por favor avise.
Há um tempo estou lidando com um sério problemas que tem me afetado não somente no Fortnite, mas em outros jogos, a rota é basicamente o caminho do qual o pacote que você demanda atravessa até chegar ao destino, o servidor.
Durante meses tem sido um pesadelo lidar com um Ping altíssimo em partidas de vários jogos, mas hoje eu resolvi deixar em aberto como lidar de modo super profissional com sua operadora (e colocar ela na linha).
O resultado do tutorial beneficia qualquer aparelho que esteja sofrendo desse problema, entretanto o procedimento precisa ser feito através de um computador (com Windows) conectado na rede com problema!
Eu vou pular a etapa que reforça na conexão de aparelhos por causa do sinal de Wi-Fi, ok? Nisso está incluso qualquer besteira desnecessária sobre reiniciar o modem e canal do Wi-Fi, quem está com problemas de rota sabe que isso não ajuda em nada. Aqui o buraco é mais embaixo.

Pescando esses IPs! Com NetLimiter

Durante a partida do jogo (o Fortnite em questão) estiver com o problema, é hora de pegar o endereço IP do server do qual está conectado, pra isso você vai precisar usar o NetLimiter e extrair o IP da conexão que estiver usando a maior quantia de pacote.
https://www.netlimiter.com/products/nl4
Na interface do programa você vai procurar pelo processo do jogo, expandir o executável, expandir o Process clicar com o botão direito no Process que estiver usando mais DL Rate e clicar com o botão esquerdo do mouse em Info. Pronto, você encontrou o endereço IP do qual está com problema, você vai trabalhar em cima desse número agora.

De onde é esse IP?

A nossa lei só irá permitir que você tenha direito caso o servidor esteja alocado em território nacional! Por isso é muito importante você saber se esse jogo está hospedando o server aqui no Brasil, se não você não poderá agir com a lei em cima dessa situação.
Pra isso você pode usar qualquer ferramenta ou site, eu no caso uso o https://www.iplocation.net/ parte dessa etapa é jogo rápido só pra ter certeza do que está fazendo.

Recriando a rota do IP!

Para recriar a rota você vai precisar abrir o Prompt de Comando (essas coisas nós sempre abrimos como administrador) do Windows e digitar o seguinte comando:
tracert "o número de IP"
Após o Prompt de Comando realizar toda a rota você irá observar em qual dos endereços é o primeiro da rota do qual fica mais alto. É muitíssimo importante
1 1 ms 2 ms 1 ms arespostadoseu.modem.tal [192.168.XX.0]
2 23 ms 23 ms 22 ms localdeio.ip.super.tal [XX.XXXX.XXXX]
3 170 ms 230ms 240 ms suaoperadora.vivo.net.oi.sky [XX.XX.X.XX]
4 180 ms 190 ms 260 ms operadoradisfacada.deembratel [XX.X.XX.X]
¹Após fazer esse procedimento você pode copiar do CMD e colar num bloco de notas para comprovação posterior. (eu recomendo muito)
É nesses endereços que você vai saber a verdade, se seu problema está na rota do seu provedor de Internet ou no servidor, você vai identificar través do nome se é da sua operadora.
É nessa hora que meu trabalho pode te beneficiar MUITO, eu tive a paciência de recolher o máximo de endereços IP por uma hora (tá bom, minha esposa me ajudou em grande parte nisso).
18.228.14.133 74.201.102.214 18.230.22.202 18.228.199.224 18.231.191.249 18.228.9.57 18.231.119.222 54.94.171.23 18.230.22.10 18.230.11.33 34.197.28.159 18.228.166.204 74.201.103.35 54.232.203.117 23.57.116.58 18.231.94.159 18.228.204.75 18.230.26.155 18.228.189.159 52.67.94.28 18.231.113.228 18.230.21.70 18.228.154.137 54.207.42.220 54.233.217.16 18.230.21.60 18.228.228.71 54.233.182.227 54.207.19.131 54.233.183.111 18.229.157.91 18.231.161.148 18.231.157.198 54.233.210.239 4.233.177.176 54.94.229.9 18.228.199.120 54.233.89.103 18.229.126.136 18.231.28.44 18.231.183.127 

Dividindo a informação com sua operadora

Você vai fazer a parte mais cansativa dessa operação, ser gentil e paciente com os atendentes da sua operadora no suporte técnico:
Pronto! Agora você tem oficialmente a relação com a operadora sobre esse problema e poderá prosseguir com o contato com a ANATEL.
Eu não quero desvalidar esse tutorial incrível por causa de uma mudança de link da ANATEL, então eu vou recomendar você abrir uma página do Google e pesquisar "Reclamação Anatel".

Hora da justiça: Jogo de cintura com a Anatel

Certo, é nessa hora em que você não vai exigir seu direito, vai viabilizar a empatia do seu atendente Anatel. Você vai digitar que durante muito tempo não está conseguindo desfrutar do seu serviço apropriadamente, digitar que está muito insatisfeito e sem saída, que tratou desse assunto com a operadora mas sem sucesso, é opcional fornecer os números dos endereços IPs através de um anexo em PDF ou JPG tanto quanto ¹o arquivo TXT do prompt de comando.
É muitíssimo impostante você inserir o Artigo 18 da Resolução nº 574, de 28 de outubro de 2011 que especifica como dever a prestadora garantir a latência bidirecional de até oitenta milissegundos. A seguir uma demonstração de como seria uma reclamação completa do problema.

Nas últimas semanas tenho lidado com um sério problema com a operdora: o desinteresse em fornecer a qualidade de serviço prometido. Contatei a operadora para explicar sobre meu problema de rota para o endereço [XX.X.XX.XX] e outros endereços demais em anexo, porém obtive pouquíssima compreensão. O Artigo 18 da Resolução nº 574, de 28 de outubro de 2011, estipula que a latência bidirecional deve ser de até oitenta milissegundos, a operadora extrapola esse limite no endereço suaoperadora.vivo.net.oi.sky [XX.XX.X.XX]. Estou sem saída, minha última opção foi contatar a ANATEL.

A operadora poderá estar enviando um técnico para análise na rede, é impostante ser aberto com o profissional e explicar que o problema não é na estrutura física da rede na residência e sim na rota de serviço, convide-o a analisar a ferramente e o método como extraiu a informação para que ele possa passar essa informação apropriadamente para seus superiores posteriormente. Se caso o egocentrismo do funcionário seja apresentado antecipadamente, seja gentil e providencie um desligamento da operação o mais breve possível. Se o técnico se recusar a compreender a situação é preciso adicionar a informação da visita na reclamação e que passou por descaso perante o ocorrido.

Sempre abasteça sua reclamação após cada resposta!

É preciso não deixar sua reclamação empoeirar ou deixar como se a operadora tivesse resolvido o problema sem ter resolvido, a operadora solicita o prazo de solução e se dentro desse prazo não tiver resolvido, torne a atualizar sua reclamação. Se a operadora não responder e der o prazo, ela sera multada. Se sua reclamação vier por ser finalizada sem que seu problema seja resolvido, você pode mudar de operadora ou tornar a repetir o processo inteiro.
Agradecimentos: Tem um cara que fez muito pela comunidade e foi nele que me inspirei a fazer esse post, eu quis complementar a informação, mas se você quiser ver o vídeo dele, pode conferir nesse link.
Bônus de usuário com operadora NET. (não testado)
"Muitos dos NETs são premiados com IPV4 NAT, ou seja, as portas são fechadas e seu Ping não é publico. Ligue pra NET e vai na parte que fala somente de banda larga... Após conseguir ser atendido por alguém diga que você tem problemas com jogos online e deseja que desabilitem o NAT do seu IPV4. O atendente vai marcar uma visita técnica pra você solicitando essa desativação do NAT do seu IPV4 mas em um certo tempo a central de suporte técnico vai te ligar e vai desmarcar sua visita técnica e desabilitar seu NAT! Seu modem vai reiniciar sozinho e você terá seu IP público. Poderá jogar normalmente... meu ping em vários servidores como os da Amazon era 120 ms pois quando passava no famoso "peer 55"... Que é uma rota Embratel que serve pra vários jogos, agora está com ping 20 ms. É pra ajudar todos os NETs que deram o azar de serem IPV4 NAT, o famoso CGNAT da NET."
submitted by DarkwraithKnight to FortniteBrasil [link] [comments]


2019.07.30 14:44 gabpac Tocando Govinda em Hebraico [A segunda impressão é a que toca]

Esse negócio de primeira impressão não ocupava demais a cabeça de Gili. Era uma daquelas opiniões, daquelas coisas tão à flor da pele que ele preferia ignorar, e nunca levava muito à sério quando conhecia alguém. Era também por isso que ele detestava blind dates.
Vou coisíssima nenhuma!
Não foi, é claro, o que o Gili disse, mas foi o que teve vontade de dizer para o Sussia, que fumava sentado na única mesa do quiosque. Contido, no fim só respondeu:
- Pode ser.
Pois a primeira impressão que Gili passava era intimidante. Tinha trinta e oito anos, um metro e noventa e cento e quarenta quilos. Era quase completamente careca, o resto do cabelo, raspado. Mas tinha olhos azuis calmos, serenos, um rosto agradável, e uma boca sem lábios que davam a sensação de estarem sempre tentando segurar um sorriso irônico. Era o dono de um quiosque na rua Bograshov, em Tel-Aviv, a uma quadra da praia. Ali trabalhava seis vezes por semana já há onze anos. Morava perto, a duas quadras dali, num apartamento de quarto e sala onde guardava suas guitarras e que dividia com seu vira-latas que ia com ele para todo lado. Gili ia deslizando com seu skate long-board pelas ciclovias de Tel-Aviv, e Muttley, arrastando sua língua pendurada no lado da boca, correndo contente ao lado dele.
O Sussia era um velho marrom, curvado, de nariz bulboso numa cara chupada. Aparecia no quiosque todas as manhãs para tomar café turco, fumar um ou dois cigarros, preencher um cartão da loto e contar intermináveis histórias que não tinham nem começo e nem fim.
Teve uma manhã dessas que Sussia veio falando de uma moça. Ela, que já andava cansada de estar solteira, reclamava que os homens de verdade nunca cruzavam com ela pelas vielas da vida. Pois eu sei de um homem de verdade! Sussia disse para a filha da amiga.
- E daí eu dei teu telefone para ela.
Gili não teve nenhuma reação perceptível quando o Sussia disse aquilo. Seguiu repondo o estoque de cigarros com seus enormes braços, cobertos de tatuagem, sem pressa de dizer nada. Só quando terminou de esvaziar seu último caixote é que respondeu à pergunta que nunca foi feita.
- Pode ser.
- É boa moça, Gili. Você já está solteiro há quanto? Dois? Três anos? No meu tempo eu não ficava sozinho nem por uma semana. Nada disso, habibi! Eu saia por Holon, Bat-Yam, às vezes Yaffo e Tel-Aviv. E nem era como é hoje, que, bem... as moças na minha época… Era complicado. Eu não consigo entender como é que você fica assim, sozinho. Cada moça bonita que passa por aqui, todos os dias, o dia inteiro. Vão e vêm da praia. Se eu fosse jovem… É… Bem, a Ayelet é uma moça muito boa. Eu acho que você vai gostar dela. Quem sabe se você se vestisse melhor? Ao invés de usar essas camisetas largas, esse tênis velho, todos os dias. Você não morre de calor? Eu ia morrer de calor com essa calça pesada. Bem, está na minha hora. Melhor eu ir indo.
Sussia se levantou da cadeira de plástico, foi até o caixa levando o copinho cheio de borra de café no fundo e a cartela da loto preenchida para pagar.
- Dez shekalim. - Disse Gili.
Sussia enfiou os dedos magros no bolso da calça frouxa e tirou dali uma moeda. Enquanto fazia isso, disse, equilibrando o cigarro na boca:
- Se ela te mandar uma mensagem, você responda, viu?
- Pode ser.
- Yalla! Tenha um bom dia!
- Você também, Moshe.
Moshe Sussia, antes de ir embora, ainda acendeu o cigarro na frente do quiosque, ao lado do estande de revistas. Gili botou o copo sujo numa pilha debaixo do caixa e seguiu seu trabalho.
Muttley ia com o dono também para o trabalho e, de manhã cedo, ao chegar, se enroscava na calçada, na frente do quiosque. O calorão vinha logo e aí ele se refugiava do lado de dentro, atrás do balcão apertado para aproveitar o ar-condicionado forte.
Ao longo da manhã Gili manteve a cabeça ocupada com o movimento no quiosque. Começava bem cedo de manhã com os habituais do bairro e passava aos poucos a ser ocupado pelos transeuntes acidentais que iam aparecendo mais tarde. Tinha gente que ia a caminho da praia que preferia comprar sua bebida ali; mais barata e mais gelada. Gente que estacionava na esquina e vinha comprar um cigarro, rapidinho. Algum distraído que deixou o leite acabar e precisava de uma caixa com urgência. Crianças comprando picolé, o avô comprando jornal. Apareceu um rapaz nervoso que pediu um espresso e sentou-se ali a ler um jornal para fazer hora e se foi. Uma senhora que morava no edifício acima tinha um molho de chaves reserva guardado com Gili. Ela pareceu ali pedindo as chaves, desculpou-se pela trapalhada, comprou sua revista mensal e voltou a seus afazeres depois de reclamar de novo do calor.
Pouco mais tarde apareceu o Tomer, rapaz que trabalhava com ele meio expediente, aliviando nos horários de pico e nos finais de semana. E com Tomer veio a calma que permitiu Gili ir almoçar e tomar um café.
Próximo do fim do dia, quando Gili já estava se preparando para ir para casa, uma mensagem no seu telefone pisca.
Oi, tudo bem? Meu nome é Ayelet. Moshe me deu teu telefone. Eu prometi que ia mandar uma mensagem para você. Você está livre amanhã? Sete e meia, pode ser?
Gili ficou olhando para o telefone largado em cima do balcão enquanto embalava um isqueiro, um pacote de tabaco e seda para enrolar cigarro dentro de uma sacola plástica. Não largou o olho do aparelho enquanto pegava o dinheiro do cliente e lhe dava a sacola com seus apetrechos. Só parou de olhar quando a tela se apagou sozinha. Assim, era como se a mensagem nunca tivesse sido mandada, e ele não precisaria lidar com o seu conteúdo. Pelo menos até abrir o telefone de novo.
Gili organizou suas coisas, pegou sua mochila, botou Muttley numa coleira, buscou seu skate nos fundos do quiosque, despediu-se de Tomer e foi para sua casa. Era fim de tarde e a rua Bograshov ainda estava cheia. O sol, ainda quente, estava próximo a se deitar por detrás do Mediterrâneo. Ele rolava com o skate por entre os transeuntes, sem pressa, para virar logo ali na Shalom Aleichem, onde era seu apartamento. Aproveitou que Muttley parou para cheirar um outro cachorro na esquina e parou junto. Tirou o telefone do bolso e respondeu a mensagem.
Pode ser.
Incluiu o nome de um café-restaurante ali perto e desligou a tela antes de ver se tinha resposta.
Deu um empurrão com o pé e tomou velocidade, no meio da rua de mão única, até chegar onde morava.
No dia seguinte, cedo de manhã, Sussia veio ao quiosque. Fumou seu cigarro, tomou seu café turco, preencheu sua cartela de loto e contou suas intermináveis histórias, sem começo e sem fim. Enquanto isso Gili conferia que Tomer havia fechado o caixa corretamente no dia anterior, tomava seu café (espresso, sem açúcar) e comia o sanduíche de omelete e queijo que fizera em casa.
Sussia não mencionou Ayelet. Gili sentiu, simultaneamente, uma leve irritação, afinal Sussia lhe devia essa pequena atenção, e também um profundo alívio, pois não queria compartilhar com ninguém, menos ainda com Sussia, a mornidão do seu interesse no problema.
Mais ou menos neste espírito passou o dia; entre a negação de que tinha uma certa expectativa, talvez até uma ansiedade, e entre a legítima calma que a certeza de que o encontro não seria nada demais lhe trazia.
Seis e meia largou o quiosque nas mãos de Tomer, levando a mochila, o skate e o Muttley para casa.
Do encontro não esperava nada, ou para ser mais preciso, esperava apenas uma moderada chateação. Mas tomou banho e arrumou-se para o show em que iria tocar com sua banda à noite num lugar ali perto. Calculou que, fosse como fosse, provavelmente não ia ter tempo para se arrumar direito entre sair do encontro com Ayelet e ir para a casa de shows. A guitarra já estaria lá esperando por ele, preparada pelo engenheiro de som.
Saiu de casa, montou no skate e subiu a Bograshov quase até o teatro Habima com potentes patadas no asfalto. Estava adiantado. Sentou-se no restaurante, pediu uma cerveja e esperou Ayelet chegar.
Aos quarenta e dois anos, Ayelet parecia bem mais nova. O pequeno tamanho ajudava a dar essa impressão. Tinha um andar leve e gracioso que não denunciava já ter carregado duas crianças no ventre, e nem que ainda as carregava nas costas de vez em quando.
Não era muito bonita. Já se achou mais feia na vida, mas naquele fim de tarde gostaria de ter tido mais tempo e mais cuidado em se arrumar para sair. A idade lhe deu um pouco mais de carne para seu rosto magro. Seus olhos castanhos hoje não lhe pareciam mais tão pesados, ou tímidos. O que tinha perdido de frescor, ganhou em calma indiferença e um certo atrevimento.
Moshe Sussia estava visitando a sua mãe numa tarde quando ela estava lá buscando as crianças. Puxou assunto; ou melhor, extendeu seu interminável assunto para incluir a situação marital dela.
- Sozinha, Moshe.
- Mas uma moça bonita como você, Ayelet? Não é possível.
- Nem mais tão moça, nem assim de bonita. Me falta tempo, Moshe. Eu não vou investir o pouco que me resta para descanso em encontros com homens que querem uma mãe, e não uma parceira.
- Sabe o que? Eu conheço um rapaz que eu acho que você vai gostar.
E Ayelet só aceitou anotar o telefone para evitar uma desfeita com o velho Moshe e, mais importante, para poder mudar de assunto. E como sabia que Moshe ia cobrar de sua mãe e sua mãe ia cobrar dela, mandou uma mensagem logo no dia seguinte para se livrar do assunto.
Na tarde em que ia encontrar Gili, desceu do ônibus sentindo uma vaga curiosidade. Uma ligeira paz de quem não tinha expectativa nenhuma. Sem expectativas, não esperava qualquer decepção. Não é que tivesse saido de cassa empurrada, ou que tivesse sido obrigada a ir. Ela racionalizava que baixas expectativas significava, também, que poderia tirar proveito do que viesse. Fosse como fosse, dar um pulo no centro de Tel-Aviv e comer num bom restaurante não iam ser uma tortura. Ayelet ainda aproveitou que já tinha depositado as crianças com o pai delas para combinar com uma amiga e se encontrar com ela depois da janta. Estava, assim, satisfeita de ter uma noite um pouco diferente.
Encontrou o restaurante e logo a sua companhia. Ele se levantou para cumprimentá-la.
Ele era um gigante e ela deu um quase imperceptível passo para trás. Apresentaram-se. Ele às parecia mais velho do que os trinta e oito anos que disse que tinha. Depois, mudava de expressão e parecia muito mais novo. Manuseava os talheres com insuspeita delicadeza para braços tão maciços. Era gentil, paciente, seco e silencioso. Quase não falava.
Sentiu-se ansiosa e um pouco culpada de não conseguir sentir nenhuma atração. Nada. O rapaz não era feio, e também não era bonito. Tinha os olhos luminosos, risonhos, mas ele quase não sorria. Seu tamanho a inibia, mas as tatuagens a assustavam. Em um braço havia uma coleção de símbolos hindus, deuses com mais de um par de braços, delicadas teias tribais de várias cores, de alto a baixo, até os dedos. Em um outro braço haviam flores, animais estilizados e várias frases em algum caractere que parecia sânscrito. Gili não a faria olhar duas vezes em qualquer outra circunstância, a não ser pela sua inevitável figura imponente. Ayelet queria se achar uma pessoa mais descolada e sem preconceitos, e daí a ponta de culpa. Não sentia repulsa, mas não conseguia cruzar a barreira da primeira impressão.
Gili achou Ayelet bonita, mas desinteressante. Ela pediu salmão assado e arroz branco. O prato mais sem graça de todo o cardápio. Podia ter escolhido uma salada só de alface e seria provavelmente mais saboroso e certamente teria mais caráter. Gili sentia uma certa relutância, um comedimento sutil vindo dela. Ayelet não o olhava nos olhos e parecia pouco à vontade na sua cadeira. Quase não falava e Gili, naturalmente quieto e reservado, não conseguia puxar assunto. Mas isso não não chegou a fazer ele se sentir incomodado, rejeitado, nem sequer aborrecido. Surfava na onda da segunda cerveja, aproveitava o princípio de noite quente para relaxar, ver as pessoas que entravam e saíam do restaurante. Talvez confessasse, se fosse interrogado, que na verdade não se esforçou terrivelmente para ser o parceiro ideal.
Despediram-se com a falta de cerimônia dos que sabem que nunca mais vão se ver na vida.
Mas estavam errados. Vinte minutos depois a amiga da Ayelet a levou para ouvir uma banda psicodélica tocar num bar da Dizengoff, e a surpresa dela não foi a de ver sua companhia de jantar ali em cima do palco tocando guitarra, mas sin de ver nele um cara completamente diferente. A banda abriu o show tocando Govinda do Kula Shaker. Gili solava na sua guitarra e a fazia soar como uma moça indiana cantando em sânscrito, enquanto o vocalista misturava letras em hebraico do Shalom Hanoch com inglês do Bob Dylan. E a camiseta preta sem marcas, e a calça cheia de metais que Gili usava fizeram sentido. Até as tatuagens dele faziam sentido agora, vindas dos ombros e cruzando o braço todo para descer dos dedos e formar as cordas da guitarra e tocar música. A esfinge que ela não decifrou na mesa do restaurante era agora clara, um rosto aberto e franco, tão envolvido com o som que se criava que parecia ausente, numa expressão de exultação pacífica que ela tinha achado antes que era indiferença. Gili rodopiava e largava cada virada de acorde com um amplo movimento do braço que fazia parecer que a delicadeza com que usava as mãos era só um ensaio para uma agilidade insuspeita num corpanzil como o seu.
Ayelet, pasma, passou o começo do show tentando entender onde estava esse homem meia hora atrás, e decidiu que queria um date com esse cara daí, assim que acabasse o show.
https://medium.com/@gabpac/tocando-govinda-em-hebraico-ae180da87c5a
submitted by gabpac to brasil [link] [comments]


2019.07.30 14:35 gabpac Tocando Govinda em Hebraico [A segunda impressão é a que toca]

Esse negócio de primeira impressão não ocupava demais a cabeça de Gili. Era uma daquelas opiniões, daquelas coisas tão à flor da pele que ele preferia ignorar, e nunca levava muito à sério quando conhecia alguém. Era também por isso que ele detestava blind dates.
Vou coisíssima nenhuma!
Não foi, é claro, o que o Gili disse, mas foi o que teve vontade de dizer para o Sussia, que fumava sentado na única mesa do quiosque. Contido, no fim só respondeu:
- Pode ser.
Pois a primeira impressão que Gili passava era intimidante. Tinha trinta e oito anos, um metro e noventa e cento e quarenta quilos. Era quase completamente careca, o resto do cabelo, raspado. Mas tinha olhos azuis calmos, serenos, um rosto agradável, e uma boca sem lábios que davam a sensação de estarem sempre tentando segurar um sorriso irônico. Era o dono de um quiosque na rua Bograshov, em Tel-Aviv, a uma quadra da praia. Ali trabalhava seis vezes por semana já há onze anos. Morava perto, a duas quadras dali, num apartamento de quarto e sala onde guardava suas guitarras e que dividia com seu vira-latas que ia com ele para todo lado. Gili ia deslizando com seu skate long-board pelas ciclovias de Tel-Aviv, e Muttley, arrastando sua língua pendurada no lado da boca, correndo contente ao lado dele.
O Sussia era um velho marrom, curvado, de nariz bulboso numa cara chupada. Aparecia no quiosque todas as manhãs para tomar café turco, fumar um ou dois cigarros, preencher um cartão da loto e contar intermináveis histórias que não tinham nem começo e nem fim.
Teve uma manhã dessas que Sussia veio falando de uma moça. Ela, que já andava cansada de estar solteira, reclamava que os homens de verdade nunca cruzavam com ela pelas vielas da vida. Pois eu sei de um homem de verdade! Sussia disse para a filha da amiga.
- E daí eu dei teu telefone para ela.
Gili não teve nenhuma reação perceptível quando o Sussia disse aquilo. Seguiu repondo o estoque de cigarros com seus enormes braços, cobertos de tatuagem, sem pressa de dizer nada. Só quando terminou de esvaziar seu último caixote é que respondeu à pergunta que nunca foi feita.
- Pode ser.
- É boa moça, Gili. Você já está solteiro há quanto? Dois? Três anos? No meu tempo eu não ficava sozinho nem por uma semana. Nada disso, habibi! Eu saia por Holon, Bat-Yam, às vezes Yaffo e Tel-Aviv. E nem era como é hoje, que, bem... as moças na minha época… Era complicado. Eu não consigo entender como é que você fica assim, sozinho. Cada moça bonita que passa por aqui, todos os dias, o dia inteiro. Vão e vêm da praia. Se eu fosse jovem… É… Bem, a Ayelet é uma moça muito boa. Eu acho que você vai gostar dela. Quem sabe se você se vestisse melhor? Ao invés de usar essas camisetas largas, esse tênis velho, todos os dias. Você não morre de calor? Eu ia morrer de calor com essa calça pesada. Bem, está na minha hora. Melhor eu ir indo.
Sussia se levantou da cadeira de plástico, foi até o caixa levando o copinho cheio de borra de café no fundo e a cartela da loto preenchida para pagar.
- Dez shekalim. - Disse Gili.
Sussia enfiou os dedos magros no bolso da calça frouxa e tirou dali uma moeda. Enquanto fazia isso, disse, equilibrando o cigarro na boca:
- Se ela te mandar uma mensagem, você responda, viu?
- Pode ser.
- Yalla! Tenha um bom dia!
- Você também, Moshe.
Moshe Sussia, antes de ir embora, ainda acendeu o cigarro na frente do quiosque, ao lado do estande de revistas. Gili botou o copo sujo numa pilha debaixo do caixa e seguiu seu trabalho.
Muttley ia com o dono também para o trabalho e, de manhã cedo, ao chegar, se enroscava na calçada, na frente do quiosque. O calorão vinha logo e aí ele se refugiava do lado de dentro, atrás do balcão apertado para aproveitar o ar-condicionado forte.
Ao longo da manhã Gili manteve a cabeça ocupada com o movimento no quiosque. Começava bem cedo de manhã com os habituais do bairro e passava aos poucos a ser ocupado pelos transeuntes acidentais que iam aparecendo mais tarde. Tinha gente que ia a caminho da praia que preferia comprar sua bebida ali; mais barata e mais gelada. Gente que estacionava na esquina e vinha comprar um cigarro, rapidinho. Algum distraído que deixou o leite acabar e precisava de uma caixa com urgência. Crianças comprando picolé, o avô comprando jornal. Apareceu um rapaz nervoso que pediu um espresso e sentou-se ali a ler um jornal para fazer hora e se foi. Uma senhora que morava no edifício acima tinha um molho de chaves reserva guardado com Gili. Ela pareceu ali pedindo as chaves, desculpou-se pela trapalhada, comprou sua revista mensal e voltou a seus afazeres depois de reclamar de novo do calor.
Pouco mais tarde apareceu o Tomer, rapaz que trabalhava com ele meio expediente, aliviando nos horários de pico e nos finais de semana. E com Tomer veio a calma que permitiu Gili ir almoçar e tomar um café.
Próximo do fim do dia, quando Gili já estava se preparando para ir para casa, uma mensagem no seu telefone pisca.
Oi, tudo bem? Meu nome é Ayelet. Moshe me deu teu telefone. Eu prometi que ia mandar uma mensagem para você. Você está livre amanhã? Sete e meia, pode ser?
Gili ficou olhando para o telefone largado em cima do balcão enquanto embalava um isqueiro, um pacote de tabaco e seda para enrolar cigarro dentro de uma sacola plástica. Não largou o olho do aparelho enquanto pegava o dinheiro do cliente e lhe dava a sacola com seus apetrechos. Só parou de olhar quando a tela se apagou sozinha. Assim, era como se a mensagem nunca tivesse sido mandada, e ele não precisaria lidar com o seu conteúdo. Pelo menos até abrir o telefone de novo.
Gili organizou suas coisas, pegou sua mochila, botou Muttley numa coleira, buscou seu skate nos fundos do quiosque, despediu-se de Tomer e foi para sua casa. Era fim de tarde e a rua Bograshov ainda estava cheia. O sol, ainda quente, estava próximo a se deitar por detrás do Mediterrâneo. Ele rolava com o skate por entre os transeuntes, sem pressa, para virar logo ali na Shalom Aleichem, onde era seu apartamento. Aproveitou que Muttley parou para cheirar um outro cachorro na esquina e parou junto. Tirou o telefone do bolso e respondeu a mensagem.
Pode ser.
Incluiu o nome de um café-restaurante ali perto e desligou a tela antes de ver se tinha resposta.
Deu um empurrão com o pé e tomou velocidade, no meio da rua de mão única, até chegar onde morava.
No dia seguinte, cedo de manhã, Sussia veio ao quiosque. Fumou seu cigarro, tomou seu café turco, preencheu sua cartela de loto e contou suas intermináveis histórias, sem começo e sem fim. Enquanto isso Gili conferia que Tomer havia fechado o caixa corretamente no dia anterior, tomava seu café (espresso, sem açúcar) e comia o sanduíche de omelete e queijo que fizera em casa.
Sussia não mencionou Ayelet. Gili sentiu, simultaneamente, uma leve irritação, afinal Sussia lhe devia essa pequena atenção, e também um profundo alívio, pois não queria compartilhar com ninguém, menos ainda com Sussia, a mornidão do seu interesse no problema.
Mais ou menos neste espírito passou o dia; entre a negação de que tinha uma certa expectativa, talvez até uma ansiedade, e entre a legítima calma que a certeza de que o encontro não seria nada demais lhe trazia.
Seis e meia largou o quiosque nas mãos de Tomer, levando a mochila, o skate e o Muttley para casa.
Do encontro não esperava nada, ou para ser mais preciso, esperava apenas uma moderada chateação. Mas tomou banho e arrumou-se para o show em que iria tocar com sua banda à noite num lugar ali perto. Calculou que, fosse como fosse, provavelmente não ia ter tempo para se arrumar direito entre sair do encontro com Ayelet e ir para a casa de shows. A guitarra já estaria lá esperando por ele, preparada pelo engenheiro de som.
Saiu de casa, montou no skate e subiu a Bograshov quase até o teatro Habima com potentes patadas no asfalto. Estava adiantado. Sentou-se no restaurante, pediu uma cerveja e esperou Ayelet chegar.
Aos quarenta e dois anos, Ayelet parecia bem mais nova. O pequeno tamanho ajudava a dar essa impressão. Tinha um andar leve e gracioso que não denunciava já ter carregado duas crianças no ventre, e nem que ainda as carregava nas costas de vez em quando.
Não era muito bonita. Já se achou mais feia na vida, mas naquele fim de tarde gostaria de ter tido mais tempo e mais cuidado em se arrumar para sair. A idade lhe deu um pouco mais de carne para seu rosto magro. Seus olhos castanhos hoje não lhe pareciam mais tão pesados, ou tímidos. O que tinha perdido de frescor, ganhou em calma indiferença e um certo atrevimento.
Moshe Sussia estava visitando a sua mãe numa tarde quando ela estava lá buscando as crianças. Puxou assunto; ou melhor, extendeu seu interminável assunto para incluir a situação marital dela.
- Sozinha, Moshe.
- Mas uma moça bonita como você, Ayelet? Não é possível.
- Nem mais tão moça, nem assim de bonita. Me falta tempo, Moshe. Eu não vou investir o pouco que me resta para descanso em encontros com homens que querem uma mãe, e não uma parceira.
- Sabe o que? Eu conheço um rapaz que eu acho que você vai gostar.
E Ayelet só aceitou anotar o telefone para evitar uma desfeita com o velho Moshe e, mais importante, para poder mudar de assunto. E como sabia que Moshe ia cobrar de sua mãe e sua mãe ia cobrar dela, mandou uma mensagem logo no dia seguinte para se livrar do assunto.
Na tarde em que ia encontrar Gili, desceu do ônibus sentindo uma vaga curiosidade. Uma ligeira paz de quem não tinha expectativa nenhuma. Sem expectativas, não esperava qualquer decepção. Não é que tivesse saido de cassa empurrada, ou que tivesse sido obrigada a ir. Ela racionalizava que baixas expectativas significava, também, que poderia tirar proveito do que viesse. Fosse como fosse, dar um pulo no centro de Tel-Aviv e comer num bom restaurante não iam ser uma tortura. Ayelet ainda aproveitou que já tinha depositado as crianças com o pai delas para combinar com uma amiga e se encontrar com ela depois da janta. Estava, assim, satisfeita de ter uma noite um pouco diferente.
Encontrou o restaurante e logo a sua companhia. Ele se levantou para cumprimentá-la.
Ele era um gigante e ela deu um quase imperceptível passo para trás. Apresentaram-se. Ele às parecia mais velho do que os trinta e oito anos que disse que tinha. Depois, mudava de expressão e parecia muito mais novo. Manuseava os talheres com insuspeita delicadeza para braços tão maciços. Era gentil, paciente, seco e silencioso. Quase não falava.
Sentiu-se ansiosa e um pouco culpada de não conseguir sentir nenhuma atração. Nada. O rapaz não era feio, e também não era bonito. Tinha os olhos luminosos, risonhos, mas ele quase não sorria. Seu tamanho a inibia, mas as tatuagens a assustavam. Em um braço havia uma coleção de símbolos hindus, deuses com mais de um par de braços, delicadas teias tribais de várias cores, de alto a baixo, até os dedos. Em um outro braço haviam flores, animais estilizados e várias frases em algum caractere que parecia sânscrito. Gili não a faria olhar duas vezes em qualquer outra circunstância, a não ser pela sua inevitável figura imponente. Ayelet queria se achar uma pessoa mais descolada e sem preconceitos, e daí a ponta de culpa. Não sentia repulsa, mas não conseguia cruzar a barreira da primeira impressão.
Gili achou Ayelet bonita, mas desinteressante. Ela pediu salmão assado e arroz branco. O prato mais sem graça de todo o cardápio. Podia ter escolhido uma salada só de alface e seria provavelmente mais saboroso e certamente teria mais caráter. Gili sentia uma certa relutância, um comedimento sutil vindo dela. Ayelet não o olhava nos olhos e parecia pouco à vontade na sua cadeira. Quase não falava e Gili, naturalmente quieto e reservado, não conseguia puxar assunto. Mas isso não não chegou a fazer ele se sentir incomodado, rejeitado, nem sequer aborrecido. Surfava na onda da segunda cerveja, aproveitava o princípio de noite quente para relaxar, ver as pessoas que entravam e saíam do restaurante. Talvez confessasse, se fosse interrogado, que na verdade não se esforçou terrivelmente para ser o parceiro ideal.
Despediram-se com a falta de cerimônia dos que sabem que nunca mais vão se ver na vida.
Mas estavam errados. Vinte minutos depois a amiga da Ayelet a levou para ouvir uma banda psicodélica tocar num bar da Dizengoff, e a surpresa dela não foi a de ver sua companhia de jantar ali em cima do palco tocando guitarra, mas sin de ver nele um cara completamente diferente. A banda abriu o show tocando Govinda do Kula Shaker. Gili solava na sua guitarra e a fazia soar como uma moça indiana cantando em sânscrito, enquanto o vocalista misturava letras em hebraico do Shalom Hanoch com inglês do Bob Dylan. E a camiseta preta sem marcas, e a calça cheia de metais que Gili usava fizeram sentido. Até as tatuagens dele faziam sentido agora, vindas dos ombros e cruzando o braço todo para descer dos dedos e formar as cordas da guitarra e tocar música. A esfinge que ela não decifrou na mesa do restaurante era agora clara, um rosto aberto e franco, tão envolvido com o som que se criava que parecia ausente, numa expressão de exultação pacífica que ela tinha achado antes que era indiferença. Gili rodopiava e largava cada virada de acorde com um amplo movimento do braço que fazia parecer que a delicadeza com que usava as mãos era só um ensaio para uma agilidade insuspeita num corpanzil como o seu.
Ayelet, pasma, passou o começo do show tentando entender onde estava esse homem meia hora atrás, e decidiu que queria um date com esse cara daí, assim que acabasse o show.
https://medium.com/@gabpac/tocando-govinda-em-hebraico-ae180da87c5a
submitted by gabpac to EscritoresBrasil [link] [comments]


2016.12.20 13:15 Dadimel_Presentes CAMPANHA "LENDO DE CARREIRINHA O NOVO TESTAMENTO". Lendo o Novo Testamento Em Sequencia Todo Dia.

Boa terça-feira! Aqui onde resido, com um lindo sol, e aí? Hoje iniciamos nossas reflexões diárias nas chamadas Cartas Gerais, escritas por diversos apóstolos para todos os cristãos e não apenas para líderes. Começamos com a Carta de Tiago escrita aos cristãos primitivos espalhados por todo o mundo pela perseguição romana. Continue você com o propósito de ler a cada dia em sequencia, o Novo Testamento. Procure a cada dia mais basear seu modo de vida e seu cotidiano unicamente pelos ensinos bíblicos. E para não correr o risco de ter entre eles inseridas regras de homens, camufladas como ordenanças de Deus, busque diretamente na fonte, sem “atravessadores”, ou seja, leia diretamente nas Escrituras.
20/12 - REFLEXÃO DE HOJE PARA INCENTIVO NA CARTA DE TIAGO: ”Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.”(Tiago 1.2-4).
Tiago não diz SE surgirem problemas, mas QUANDO surgirem; ele admite que TEREMOS problemas e que é possível tirar vantagem deles. Não podemos saber com certeza a profundeza do nosso caráter até vermos como reagimos sob pressão. É fácil ser gentil com o próximo quando tudo vai bem, mas você consegue ser gentil quando o tratam com injustiça? Tiago nos diz para transformar nossas dificuldades em tempos de aprendizado.
Isso pode nos ajudar a lembrar de que Deus quer amadurecer e completar você; não simplesmente lhe proteger de toda dor. Em vez de reclamar de suas lutas, veja-as como oportunidades de crescimento. A questão não é fingir estar feliz diante da dor, mas ter uma visão positiva por causa do bem que os problemas podem trazer à sua vida.
Agradeça a Deus por prometer estar do seu lado em tempos difíceis. Peça a Ele sabedoria para os problemas que enfrenta e força para suportá-los. Então, seja paciente. Deus não irá abandoná-lo em seus problemas. Ele ficará perto de você e o ajudará a crescer.
(Bíblia de Estudo Leitura Diária)

NovoTestamento #Biblia #JesusCristo #EvangelhodeCristo #SemBarganhasComDeus #CristoÉoCentroDaVerdade

submitted by Dadimel_Presentes to Cristianismo [link] [comments]


como ser gentil Como ser Calma? #JulhoTodoDia SER GENTIL  Luan Felipe #Live com Convidado  Como ser mais paciente e ter filhos ... Como ser mais paciente [PACIÊNCIA TEM LIMITE]... - YouTube 10 Exemplos gentis que devem ser seguidos COMO SER MAIS GENTIL? Como Eu Me Tornei Mais Paciente... COMO SER UMA PESSOA MAIS CALMA E EQUILIBRADA?  Cris ... COMO SER MAIS PACIENTE E MENOS ANSIOSO - YouTube

Como ser gentil - Óbvio News

  1. como ser gentil
  2. Como ser Calma? #JulhoTodoDia
  3. SER GENTIL Luan Felipe
  4. #Live com Convidado Como ser mais paciente e ter filhos ...
  5. Como ser mais paciente [PACIÊNCIA TEM LIMITE]... - YouTube
  6. 10 Exemplos gentis que devem ser seguidos
  7. COMO SER MAIS GENTIL?
  8. Como Eu Me Tornei Mais Paciente...
  9. COMO SER UMA PESSOA MAIS CALMA E EQUILIBRADA? Cris ...
  10. COMO SER MAIS PACIENTE E MENOS ANSIOSO - YouTube

Vivemos um mundo incerto onde a gentileza perde espaço para a intolerância. Queremos propagar a corrente do bom com atos simples que contribuirão a uma era mais feliz. Confira e pratique os ... Acompanhe as lives e acesso o canal do telegram: https://www.educacaonolar.com/lives _____ Confira nosso site: ht... Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube. COMO SER MAIS GENTIL? Mancini Psiquiatria e Psicologia. ... COMO SER FIRME E GENTIL AO MESMO TEMPO ... POR QUE É IMPORTANTE O VÍNCULO ENTRE PSICÓLOGO E PACIENTE? - Duration: 5:04. ... Sabe, seja gentil porque a gente nunca sabe das lutas dos outros. Mas e ai, você sabe das suas lutas, é gentil consigo mesmo? Inscreva-se no canal: https:/... Atendendo a pedidos o vídeo de hoje é sobre, paz, tranquilidade. Muitas de vocês sempre deixam comentários elogiando minha calma, minha voz, a tranquilidade ... Como ser mais paciente [PACIÊNCIA TEM LIMITE]. Sim porque chega uma hora que toda paciência vai para o espaço, é complicado, é indelicado, mas é real. Como c... Shallow Cover - Lady Gaga & Bradley Cooper (Daddy Daughter Duet) Mat and Savanna Shaw - Duration: 3:35. Mat and Savanna Shaw Recommended for you Hoje eu resolvi falar um pouco sobre Paciência, sobre como eu me tornei mais paciente, e como é a minha visão relativa a pressa e irritação! 🏅 Seja Membro: h... Como se tornar mais inteligente e criativo - Sandra Regina da Luz Inacio - Duration: 1:02:47. TV CRECI 276,483 views. 1:02:47. COMO SER MAIS PACIENTE E MENOS ANSIOSO - Duration: 9:08.